A Cifose (*) estrutural que frequentemente é mais diagnosticada no período da puberdade, é comumente causada pela doença de Scheuermann. Embora sua verdadeira causa esteja desconhecida, é provável que essa condição esteja relacionada a fatores biomecânicos.

A coluna vertebral em sua complexidade possui pontos aos quais devem ser destacados dentro de uma análise mais profunda, o balanceamento do tronco, sua fisiologia e regiões necessitam de uma verificação para que se possa entender seu funcionamento e por consequente o provavel surgimento de problemas como por exemplo a Cifose de Scheuermann.

A coluna vertebral apresenta uma estrutura global de modo a manter o tronco balanceado tanto no plano coronal (*) quanto no sagital (*). No plano coronal, o balanceamento normal exige que uma linha vertical traçada do centro do processo odontoide intercepte exatamente o ponto médio do promotório. Já no plano sagital, uma linha vertical traçada do centro do processo odontoide deve interceptar a borda posterossuperior da primeira vértebra sacral. Fisiologicamente, a coluna vertebral apresenta duas regiões cifóticas (torácica e sacral) e duas lordódicas (cervical e lombar), que atuam em conjunto para manter o balanceamento sagital. Logo, uma acentuação anômala da cifose torácica (p.ex., doença de Scheuermann) geralmente conduz os demais segmentos a uma compensação.

De forma geral a doença de Scheuermann se apresenta em jovens adolescentes sem diferença específica de frequência entre os sexos. A deformidade cifóse sendo toracolombar ou torácica é acompanhada de dor. A dor é tipicamente de caráter mecânico, piorando com o esforço físico. Geralmente, a dor cessa com a maturidade esquelética.

Ao verificarmos sobre as questões de tratamento para a doença de Scheuermann, devemos considerar alguns fatores tais como: idade, condição neurológica e progressão da curva. Não existe um consenso quanto à estratificação das modalidades de tratamento, devido, em grande parte, ao desconhecimento da evolução natural dessa doença. a seguir, serão discutidos alguns aspectos terapêuticos baseados nos critérios apresentados.

O acompanhamento médico deve ser indispensável durante o crescimento tanto no intuito de acompanhar a progressão quanto a regressão do quadro. é importante uma análise do paciente para verificar qual seria a melhor forma. Adolescentes com cifose de até 50° sem evidência de progressão da curva devem ser seguidos clinicamente a cada 6 meses, incluindo radiografias controles. Não há necessidade de acompanhamento após a maturidade esquelética nesses casos. Indicações para intervenção na cifose de Scheuermann são: dor, deformidade progressiva e comprometimento estético. O tratamento varia com o grau da deformidade e sua flexibilidade.

A respeito do tratamento ainda existem pontos a se discutir para considerar a sua eficácia. O primeiro relato sobre fusão posterior no tratamento da CS, as indicações cirúrgicas, bem como as técnicas operatórias, vêm apresentando grandes modificações. Em várias séries de casos, dor e deformidade são tidos como os critérios adotados para se optar pela indicação cirúrgica. Alguns estudos indicam cirurgia para os casos de dor refratária ao tratamento conservador. Lowe recomenda tratamento cirúrgico na CS em adultos com cifose maior ou igual a 75°, com quadro de dor persistente apesar do tratamento conservador, e naqueles com deformidades que influenciam na aparência estética do paciente. Murray et al reservam a opção cirúrgica para os casos com dor e deformidade inaceitáveis. Os critérios utilizados no presente estudo foram condizentes com o observado na literatura.

Dentre as principais complicações do tratamento cirúrgico da doença de Scheuermann estão:

infecção;
lesão vascular;
lesão neurológica;
falha e/ou soltura de implantes;
cifose juncional.

Atenção particular deve ser dada a esta última situação, decorrente de correção cirúrgica excessiva da deformidade ou escolha inadequada dos níveis de artrodese.

Leia os artigos completos aqui:

ARAUJO, Marcelo. Cifose de Scheuermann. Disponível em: https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2438/cifose_de_scheuermann.htm .

TEMPONI, Eduardo. CIFOSE DE SCHEUERMANN: comparação entre a abordagem por via posterior associada à osteotomia de Smith-Petersen e a fusão combinada anterior e posterior. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbort/a/HS8XrqVcWnb9ZLNSXwR3BJg/?lang=pt .

(*) Notas:

Cifose – Arredondamento das costas voltado para a frente.

Plano Coronal – Plano coronal ou plano frontal é um dos tipos de planos anatômicos, dividindo o corpo com cortes verticais e perpendiculares ao plano mediano. Assim é possível definir a parte ventral/anterior da parte dorsal/posterior. É usado para dividir diversos órgãos e para indicar a direção do ponto de vista de uma imagem.

Plano Sagital – Sagital é o plano anatómico que divide o corpo humano em metades esquerda e direita. Passa por vários pontos anatómicos entre os quais nariz, umbigo, centro de gravidade e sínfise púbica e cai num espaço livre entre calcanhares.